«Non-Fiction» no Centro Cultural Vila Flor através da ótica de André Príncipe. Inauguração da exposição está marcada para este sábado, 05 de Maio, às 18h00

A partir deste sábado, 05 de Maio, a área expositiva do Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, será habitada por “Non-Fiction”, exposição composta por imagens fotográficas de André Príncipe cuja força interior e autenticidade permitem diferentes processos de subjetivação e diversas abordagens do olhar. 



Com esta exposição, o Centro Cultural Vila Flor pretende dar a conhecer uma obra que, inexplicavelmente, não tem a merecida visibilidade. As fotografias de André Príncipe combinam pensamento, utopia, esperança, consciência, sonho, imaginação, embora assumam estes elementos de forma velada, como sombras informes, fantasmas. A inauguração, com entrada livre, está marcada para as 18h00. 

Os temas abordados nesta exposição expandem-se em diversas direções, vestígios de um mundo imperfeito, impuro, injusto, cruel, com o qual o artista se confrontou, por vezes de maneira violenta. A realidade dos factos em cada representação age por contraposição, tentando inverter a ordem estabelecida pelo discurso politicamente correto. As imagens dirigem-se às pessoas, propondo soluções alternativas indiretas ou ideias de mudança invertidas. Não podendo escapar ao exterior, misturam-se com ele, ficando anos e anos submersas em composições subjetivadas, num inconsciente escondido, calado, anónimo. 

Cada obra tem uma história feita de movimentos por territórios, povos e países. Os instantes são encontros do olhar de alguém que não receia compromissos e é frontal nas suas decisões. As imagens contidas nas fotografias de André Príncipe revelam uma tríade reflexiva composta por recordação, evocação e reminiscência. Têm de ser percecionadas, para além dos seus limites formais e temáticos, cruzando-se os modos de olhar do autor, com os estímulos desencadeados por lugares a si exteriores. A sequência das obras apresentadas deve ser encarada como um todo unificado e abrangente, cuja exposição representa um pensamento sinuoso e pessoal, numa visão idiossincrática que exala e absorve elementos visuais de diferentes proveniências. 

O Centro Cultural Vila Flor pretende, com a exposição de André Príncipe, dar a conhecer uma obra que, inexplicavelmente, não tem a merecida visibilidade. A apresentação desta imagem fotográfica reabre uma pequena janela distópica, simbolizada pela fresta esperançosa de instantes recolhidos em prolongadas viagens por culturas diferentes como rasgos de liberdade ou relâmpagos de alegria. Contudo, há que ser frontal e isto implica não esconder a verdade: a vida é trágica, mas apesar de todas as desgraças, pode experimentar-se um certo gosto de viver. 

Os trabalhos expostos nesta mostra, representados sob a luz imanente de um pensamento que brota sem cessar, relevam força interior, autenticidade e instinto. As fotografias deste autor estão impregnadas de pensamento, consciência e imaginação, marcas pessoais distinguíveis que o identificam. Sendo difícil escolher uma palavra capaz de sintetizar o conjunto do trabalho artístico desta exposição, o melhor será analisar cada peça segundo diferentes processos de subjetivação, detetáveis nas diversas abordagens do olhar. 

Muitas vezes, as pessoas não sabem o que querem, nem querem o que sabem, ou simplesmente preferem o errado. Nas fotografias de André Príncipe o errado permanecerá errado e o certo ficará tal como está. O campo de expressão desenvolvido vê na ignorância uma vantagem, um imperativo de aprendizagem na obrigação de desencadear buscas incessantes de conhecimento. Todavia, quando se atinge algum saber minimamente coerente, este manifesta-se de maneira algo estranha, pois quanto mais a imagem se revela e autonomiza, menos se deixa ver, parecendo incompleta e distante do real. 

As imagens fotográficas de André Príncipe vivem entre a dureza de uma realidade cruel e injusta e um campo difuso de factos, onde as imagens denunciam formas de alienação. Apesar do progresso tecnológico, o que tem mudado na arte é a combinação de temáticas, a sua estrutura fragmentária, a rutura de materiais, as ligações surpreendentes, as sujeições ao mercado, o controlo dos media. As paredes do labirinto humano atual continuam a dividir pessoas, a segregar géneros, a culpabilizar etnias, a fomentar radicalismos. As imagens expostas expressam uma interioridade e uma pacificação algo insólitas, como se fossem o melhor refúgio para indivíduos acossados por máquinas inteligentes que controlam os seus movimentos. 


Non-Fiction” poderá ser visitada até ao dia 28 de Julho, de terça a sábado, das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 19h00. A entrada tem um custo de 2,00 euros ou 1,00 euro com desconto. 

É igualmente possível realizar visitas de grupo orientadas, cuja marcação deve ser efetuada com, pelo menos, uma semana de antecedência, através de telefone 253 424 700 ou e-mail mediacaocultural@aoficina.pt.



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