Orquestra Metropolitana regressa à Biblioteca Nacional a 29 de Junho para apresentar «Terra» de Carlos Marecos e a «Quarta Sinfonia» de Brahms

Esta sexta-feira, dia 29 de Junho, a Orquestra Metropolitana de Lisboa, dirigida pelo Maestro Reinaldo Guerreiro, regressa à Biblioteca Nacional de Portugal para apresentar «Terra», uma partitura para orquestra de cordas, de Carlos Marecos, e a Quarta Sinfonia de Johannes Brahms. Bilhetes à venda.

"Terra" para orquestra de cordas. Nota de apresentação assinada pelo compositor Carlos Marecos 

«A obra inspira-se na Terra; na Terra como planeta e na terra como superfície, solo, poeira e lama, elemento capaz de acolher e gerar vida. Está dividida em 7 andamentos, onde cada um se apresenta como um quadro relativamente independente, não existindo um desenvolvimento contínuo. Um dos principais desafios foi a criação de diferentes timbres a partir de uma instrumentação de timbre único – a orquestra de cordas. Este facto também me permitiu concentrar na criação de diferentes timbres abstractos, onde o seu conteúdo harmónico é valorizado. 

 O primeiro andamento inicia-se com um solo de viola rodeado pela sua própria reverberação realizada pelas outras violas. O resto da orquestra quase não intervém e, quando o faz, apresenta-nos um acorde de 18 sons diferentes, que é o resultado da ‘iluminação’ do campo harmónico deixado pela reverberação da melodia da viola. 

O segundo andamento, mais lírico, inicia-se com um ‘apelo’ do contrabaixo, como que cantando uma nota aguda, que recebe duas linhas em contraponto, orquestradas de modo a procurarem diferentes timbres ou cores. Uma secção contrapontística final atrai para si toda a harmonia, misturando todos os elementos, congelando todos os sons tocados, criando uma certa tensão harmónica, só resolvida pelo ‘canto’ agudo do contrabaixo, que fecha o número. 

O terceiro andamento parte de um universo harmónico tenso, ‘quente’, de âmbito muito reduzido, mas denso, onde o intervalo de 2ª maior é preenchido por microtons. Aí, são exploradas diversas possibilidades de alargamento tímbrico das cordas, aproximando-se o seu timbre do ruído. 

O quarto andamento baseia-se, fundamentalmente, na descida de uma linha ‘planante’ de densidade fina, mínima, que se inicia no registo agudo e viaja progressivamente até ao registo médio-grave. Na sua descida, a linha vai encontrando diferentes espaços acústicos, criados pelos restantes instrumentos da orquestra, que a ecoam de maneiras diferentes conforme o espaço atravessado. 

O quinto andamento, numa primeira parte, apresenta uma total independência de elementos, todos os músicos tocam uma parte diferente, funcionando como um caos onde os elementos parecem procurar uma organização, encontrada numa segunda secção onde se gera o efeito de fusão. 

O sexto andamento baseia-se numa linha com um forte pendor rítmico, que explora diferentes versões para o seu contorno melódico, sendo este dilatado e comprimido. 

No sétimo e último andamento, existe uma melodia circular ornamentada com ela própria, pontuada por diferentes acordes que a ‘iluminam’ com diferentes cores, como se pertencessem a um sino ou a um tímpano imaginários a pontuar o discurso musical, impulsionando a melodia no seu movimento. Entre as diversas apresentações da melodia, regressam as duas linhas contrapontísticas já apresentadas no segundo número. 

Nesta peça, procuro estabelecer uma relação peculiar entre uma música predominantemente melódica e diferentes maneiras de pensar a harmonia, inter-relacionando as suas linhas, simples ou em contraponto, com acordes constituídos por muitos sons, como objectos relativamente independentes. Esses acordes, que surgem por vezes, de surpresa, partilham o mesmo espaço que as melodias e iluminam-nas de diferentes maneiras, intensidades e cores, ao invés de funcionarem como harmonias que sustentem melodias. A restante harmonia é, simplesmente, fruto do eco ou da reverberação das próprias melodias e do seu campo harmónico, e ainda, resultado do trabalho tímbrico com estruturas espectrais, na procura de diferentes espaços acústicos para as linhas, gerados através da própria escrita instrumental.»

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O início da quarta sinfonia de Brahms é surpreendente. Tudo começa de rompante, sem preparação. Respira-se fundo e começa uma experiência que se promete arrebatadora, quatro andamentos que prendem o exercício da palavra. 

O ambiente do primeiro evolui progressivamente, terminando num clima desanuviado. O segundo, lento, foi descrito por Richard Strauss como uma marcha fúnebre, mas não passa despercebido o lirismo bucólico que o atravessa. 

No terceiro destaca-se uma melodia belíssima, de alento contagiante. Por fim, uma série de variações sobre um tema emprestado de uma cantata de Bach. 


Programa 

C. Marecos Terra 
J. Brahms Sinfonia N.º 4, Op. 98 

Orquestra Metropolitana de Lisboa 
Maestro Reinaldo Guerreiro 

Sexta-feira, dia 29 de Junho, às 21h00, na Biblioteca Nacional de Portugal




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