«A Obra e o Pensamento de Sampaio Bruno»

Já nas livrarias o livro «A Obra e o Pensamento de Sampaio Bruno», uma edição Universidade Católica Editora



Sinopse 

Figura incontornável da vida intelectual e política dos fins de Oitocentos e princípios de Novecentos, José Pereira de Sampaio (Bruno) foi uma referência tutelar da "Renascença Portuguesa". Quando a revista A Águia declarou que a perda de um homem como Sampaio Bruno "representa qualquer coisa de semelhante a uma catástrofe", ficava exarada a importância que Bruno tinha para a geração mais jovem, de Jaime Cortesão, de Teixeira de Pascoaes ou de Leonardo Coimbra, não só pelo valor e repercussão das ideias como pelo exemplo cívico, que se mantém até hoje. 


«A obra de Sampaio Bruno situa-se, temporalmente, na transição entre os séculos XIX e XX. Do ponto de vista filosófico foi um dos marcos do pensamento heterodoxo português, escrevendo toda a sua vida profundamente marcado pelo sentido da diferença, ao mesmo tempo que lutava arduamente pelo fim da monarquia e pelo advento do regime republicano, luta que dele fez um dos exilados do 31 de Janeiro. 

A despeito dos seus primeiros escritos, marcados pela sedução do positivismo conteano (Análise da Crença Cristã (1874)), o qual viria rapidamente a abandonar e a criticar em O Brasil Mental (1898), constituiu núcleo essencial da sua obra a ideia da opacidade do mundo, do seu carácter misterioso, conferindo à linguagem a missão de traduzir essa mesma opacidade, vedada que estava a expressão da verdade na sua nudez singela. Para Bruno, a verdade não é um absoluto dado, e nele se palpa, tanto no pensamento como na sua expressão escrita, o sentido do oculto, ou não fosse a verdade "o erro, aproximando-se indefinidamente da verdade verdadeira, desconhecida". Daí que seja habitualmente considerado um autor difícil, com uma prosa recortada, sinuosa e tantas vezes labiríntica, nos antípodas da clareza dos geómetras. 

Bruno abriu-se ao mito, à profecia, à revelação, às alucinações auditivas (de que disse ter sido alvo), às sociedades secretas, ao mesmo tempo que expurgou o messianismo do que considerava a sua dimensão acessória para o focar no essencial: a redenção do homem e, com ele e através dele, a redenção universal, acabando por nos traçar uma metafísica da redenção que parte do mistério das origens para terminar na redenção não só do homem, pois recusou a perspectiva antropocêntrica de um certo evolucionismo imperante que à luz do seu critério tem por imoral, mas a redenção universal e fraterna de toda a cadeia dos seres, da natureza no seu conjunto, num processo que se lhe apresentava como a revelação sucessiva de fins divinos, rumo à perdida perfeição de um absoluto misteriosamente alterado. 

Há na sua obra permanente exigência de relação ao englobante e, ao mesmo tempo o sentimento de ser englobado no quadro de um monismo que rejeita o dualismo da metafísica cartesiana. Nela encontramos uma noção do real que passa pelo amor, pela comunicação e pela relação profunda do homem com os outros seres - chegando ao ponto de se fazer vegetariano -, ao mesmo tempo que tudo refere ao passado de uma homogeneidade perdida, rumo ao longínquo e profetizado porvir de uma unidade final a restabelecer: "Em todo o mundo a paz será", a qual "chegará lá para os dias mais confiantes do longínquo porvir", escreveu na sua mais importante obra, a Ideia de Deus (1902).» 

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